Ensinando valores às crianças

Ensinando valores às crianças

Como estimular nos pequenos qualidades como respeito e generosidade

A palavra tem um impacto imediato no cotidiano das crianças. É a entonação que damos a ela que faz com que os pequenos percebam nossas intenções. O aprendizado de conceitos e valores se dá também através do que é observado, absorvido e vivenciado. Como os valores que aprendemos na infância são os que carregamos pela vida afora, é importante que os pais ou os responsáveis pela criança sejam influências positivas em seu cotidiano. Os pequenos são super antenados, flagram os adultos dizendo algo e tendo um comportamento incoerente com o discurso. Então, é necessário que palavra e atitude estejam em conformidade com a verdadeira intenção dos pais.

O “não” é o limite, é a palavra-conceito que estrutura a convivência em sociedade, que dá a noção de perigo, de reconhecimento de fronteiras. O “por favor” é quase mágico, abre caminhos e possibilidades de conquista. O “obrigado” ganha simpatia e deixa portas abertas e assim por diante. Mas a palavra sozinha pode perder seu valor quando é exaustivamente repetida e não tem a respectiva atitude que a valide, que a torne coerente.

O “não” gratuito, sem reflexão, num primeiro momento deixa a criança indignada porque ela simplesmente quer. Então a criança insiste, insiste, e muitas mães e pais acabam cedendo porque o “não” adveio muito mais do vício na palavra que proporciona “conforto” para os pais do que por um motivo realmente consistente. A criança logo percebe que basta choramingar para conseguir o que deseja, e assim o “não” perde seu sentido. Mais tarde a criança será taxada de desobediente e os pais não se darão conta de que eles mesmos a ensinaram a não dar importância a um pedido ou a um limite explícito.

De nada adianta ensinar a criança a pedir “por favor” quando solicita algo, se os pais não o fazem, mas “ordenam”.A dizer “obrigado”, se eles mesmos não reconhecem as gentilezas dos filhos, dizendo que não fizeram nada mais que a obrigação diante de uma atitude solidária dos pequenos. Ou pedir à criança que não grite quando ela observa seus pais gritando um com outro e assim por diante. Esses são exemplos clássicos de questões simples do cotidiano, mas que ilustram como a base do caráter é formada através de observação e repetição de comportamentos.

São inúmeras as oportunidades que os pais têm para mostrar a importância de desenvolver e cultivar valores como respeito, generosidade, gratidão, responsabilidade, solidariedade. E a maioria nem percebe as chances que perdem de ensinar seus filhos. Veja, então, como você pode aproveitar situações corriqueiras para solidificar esses valores:

  • A partir dos três anos, peça permissão para verificar a mochila da escola ou avise que vai fazê-lo. Lembre de explicar o motivo: ver se tem roupas sujas, se há recados na agenda, por exemplo. Quando a criança for um pouco mais velha, passe a perguntar e peça que ela mesma mostre a agenda ou lhe dê as roupas para lavar. Isso fará com que naturalmente ela não mexa no que não é dela sem pedir permissão, lhe dará noções de respeito e limites, e fará com que ela entenda o que é seu e o que é do outro.
  • Uma vez por ano, no dia das crianças e/ou Natal, por exemplo, peça que seu filho identifique os brinquedos que não usa mais e avise-o que enquanto ele faz esse “trabalho” você estará fazendo o mesmo com suas roupas. Deixe que ele vá com você num orfanato ou igreja para fazer a doação. Isso lhe dará um senso de realidade, aprenderá a repartir suas coisas e a não acumular o que não usa. É uma lição de desapego.
  • Convide a criança a guardar os brinquedos e algumas vezes a ajude. Caso ela se recuse, guarde você mesmo num local inacessível e a ensine a olhar no calendário, estabelecendo uma data para que ela volte a poder brincar, três, cinco dias, por exemplo. Ela aprenderá que não se responsabilizar por suas coisas tem consequências que nem sempre são agradáveis. Mas é preciso que você seja firme, pois dessa forma ela também aprende a confiar em sua palavra.
  • Ajudar a criança com suas pequenas tarefas a autoriza a pedir ajuda também. Por exemplo, colocar e retirar os pratos da mesa ou enxugar a louça. Isso desenvolve um senso de solidariedade, ela aprende que as tarefas são realizadas de forma mais rápida e eficiente quando feitas em conjunto.
  • Procure não esquecer de agradecer ou de manifestar sua alegria não apenas por suas solicitações atendidas, como também pelos os gestos de carinho e atenção que crianças que estejam sob sua responsabilidade demonstram nas pequenas atitudes. Elas aprenderão a importância do reconhecimento e da gratidão e também se manifestarão quando as pessoas forem generosas com elas.
  • Conte ou leia histórias, contos de fadas, estimule comentários e impressões a respeito dos personagens e suas ações. Use a historinha para estabelecer paralelos com as situações do cotidiano. Existem livros que têm como meta o desenvolvimento emocional das crianças.
  • Se você puder tenha um animal de estimação. A amizade entre crianças e bichinhos promove um inestimável aprendizado com relação a aceitar as diferenças e desenvolverá nela sentimentos de compaixão, respeito e amor incondicional. Divida com ela os cuidados com o animal, como troca de água, oferta de alimento e banho, por exemplo. Isso lhe dará noções de compromisso com uma vida.
PARA CONTINUAR REFLETINDO SOBRE O TEMA
O livro das virtudes para crianças, organizado por William J. Bennett.Editora Nova Fronteira, 112 páginas

Fonte: Revista Personare

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~ por arauto do futuro em abril 2, 2009 quinta-feira.

4 Respostas to “Ensinando valores às crianças”

  1. Amei sobre o texto de valores. As crianças estão vivenciando um dia a dia tão avançado para elas onde os pais quase não se dispõe de tempo para elas. Sou profª do 1ºpríodo, trabalho linguagem oral e escrita espontâne, matemática,natureza e sociedade, identidade e autonomia, música e artes visuais. Tem mães que acham que eles não tem que aprender de maneira lúdca, o alfabeto, o nome, os números e quantidades, as cores primarias e outros tópicos pedagógicos. Vou imprimir esse texto para passar aos pais. E gostaria de receber mais esclarecimentos para estar passando aos pais, sobre os primeiros aprendizados para a turminha de 4 a 5 anos. Obrigada!

  2. Maria Lúcia, sou de uma família de professores, de pedagogos pra ser honesto, e tenho também três filhos bem curiosos e cheios de energia, daqueles que dão um trabalhão honesto.
    Tem algumas coisas que dão certo:
    - Aprender brincando, com aquilo que os motiva e interessa; com o próprio universo lúdico, não importa se o tema ou matéria não é bem uma afinidade natural. O que importa é colocar esse conteúdo dentro de um contexto aceitável e divertido pra criança: a gente faz melhor o que gosta.
    - Nada de propagandas e tv. Os programas televisivos pra crianças em sua maioria querem criar adolescentes fora de época, porque assim é melhor para o consumo. Toda criança considera o máximo ser mais velha e a mídia usa e abusa disso, criando modismos adolescentes pra criançada se espelhar e crescer condicionada àquele padrão problemático artificial. As propagandas entre um raro programa bom e outro também servem para ir ensinando a criançada a serem poços de desejos desnecessários, a criarem uma falsa e artificial noção de mundo e de seu papel dentro dele. Não adianta o melhor discurso do mundo em casa se vc entrega seus filhos pra tv. O melhor é ter um vídeo e direcionar a programação pras coisas úteis que ensinem teu filho a pensar e viver sem medo.
    - Procure levar seus filhos em bibliotecas, salas de teatro, consertos de boa música, fora os passeios possíveis e normais pelos parques da vida;
    - Leia pra eles autores como Monteiro Lobato, Malba Thahan, Antoine de Saint-Exupéry, Richard Bach e Jack London. Sãoautores que ensinam teus filhos a terem gosto pelas descobertas inteligentes, a serem aventureiros, a confiarem em si mesmos e buscarem as próprias respostas. Leia à noite, se preferir,isso acalma o sono e de dia acabarão por procurar essas e outras leituras;
    - Não compre brinquedos eletrônicos idiotas, que quebram àtoa, funcionam sem participação ou façam as crianças ficarem horas sentadas como zumbis em frente às minúsculas telinhas de realidades sempre virtuais, que os premeiam com fases cada vez mais difíceis. Não os acostume a ter uma vida de mentira e ainda acharem que isso é bom.
    - Compre brinquedos que os façam descobrir a vida, dominá-la e vivê-la com saudávek curiosidade: bicicletas, patins, skates, pipas, aviões de montar, microscópio, luneta, binóculo ou telescópio, jogos de mágica, jogos de química (havia um laboratório infantil de fazer tinta invisível e otras cositas más, quando era criança), peões, fantasias de personagens, etc.
    - Se tiver condições e eles estiverem à fim, coloque-os em aulas de música, ou natação, ou artes marciais, ou dança.
    - Converse mjuito com eles e seja acessível sempre, mesmo quando o assunto é pôr os limites.

  3. [...] Ensinando valores às crianças [...]

  4. Maria Lúcia,
    Adooooooooorei suas dicas. Sou uma mãe de uma menina de três anos que está me dando um trabalhão, não aceita ser contrariada.
    Já utilizo de algumas dessas técnicas, agora acrescentarei outras.
    Obrigada Por compartilhar suas experiências.

    abraços

    Aline

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