Superadobe – “Bio Casas”

“Bio Casas”

Vejam que soluções simplesmente incríveis para moradias eco-lógicas!

“É como um solavanco quando, ao dobrar uma esquina, você tropeça no Instituto Cal Earth.

“Bio Casas”

.:: por Marina Benjamin ::.
The Independent/Londres
Traduzido por Clarissa Pont

Dirigir pela empoeirada Hesperia, cidade no deserto da Califórnia, cansa o olhar. Se você descontar as montanhas de San Bernardino, que passam como uma cortina de fundo, não há nada além de quilômetros de arbustos e fileiras infindáveis de habitações de beira de estrada, todas na cor creme. É como um solavanco quando, ao dobrar uma esquina, você tropeça no Instituto Cal Earth .  Repentinamente, como um ponto de luz em um radar, formas orgânicas começam a pontuar o duro horizonte.

Os pontos são casas de tijolo de barro construídas pelo arquiteto iraniano Nader Khalili, usando o método que ele chama de superadobe. Elas se espalham em pequenos feixes entre as árvores, salpicando os sete acres e meio do Instituto. Estas cabanas de barro – e sua força, durabilidade e propriedades de empilhamento modular – são o assunto de um considerável interesse no momento. A cidade fundadora de Hesperia acaba de merecer o título de primeira colônia lunar do mundo.

Khalili está encantado. Ele espera por esse momento desde 1984, quando demonstrou os méritos da arquitetura de terra em um Simpósio da Nasa que discutiu bases lunares para o século 21. Enquanto todos os outros se empenhavam em trazer soluções fantásticas, como estranhas fusões de metais, plásticos super-maleáveis e a última tecnologia em fibra de carbono, esse pequeno e intenso homem exaltou as virtudes do solo. Foi a arquitetura seguindo uma filosofia de volta às raízes que capturou a imaginação
dos cientistas espaciais.

Ainda que o sonho de Khalili seja construir uma colônia com regolito – a subtância dura e empoeirada que cobre a superfície lunar –, ele já está contente de, por agora, experimentar com o solo rochoso de Mohave. Aliás, Mohave é o mais próximo que se pode chegar da lua, sem sair da Terra. Ali é possível experimentar as mesmas duras mudanças de temperatura: quente ao dia, gelado durante a madrugada e extremamente seco.

Mas o paralelo que mais interessa a Khalili é a similar escassez de material. “O aspecto diferente desta arquitetura é que ela usa nada além do solo sob seus pés”, ele explica, “então não há necessidade de transportes caros de materiais para a lua”. Ao lado de cada cabana de superadobe há um buraco no chão, uma prova bruta da construção escavada.

Superadobe é essencialmente uma técnica de empilhar sacos preenchidos com terra, para formar paredes, e posicionar arame farpado entre eles para reforçar. É barato (Mars I, o mais completo dos protótipos do Cal Earth custou $270), ambientalmente amigável e notavelmente for te. Quando a Prefeitura de Hesperia desenvolveu testes independentes nas estruturas em andamento para autorizar Khalili a construir o museu natural local, eles descobriram que uma única cabana envolta com cabos e ligada a dispositivos hidráulicos poderia suportar uma força equivalente a um caminhão cheio de concreto descendo um despenhadeiro.

Khalili fundou o InstitutoCal Earth em 1991 para promover a construção de casas seguras e baratas. Khalili e sua assistente britânica Iliona Outram (filha do arquiteto John Outram) agora ensinam técnicas de superadobe para estudantes do mundo todo. É provável que visitantes procurando por Khalili, agora com 60 anos, encontrem-no caminhando pelo terreno, com suas calças jeans de sempre e chapéu de lã branca. Vendo Khalili em seu aspecto quase místico e ouvindo-o celebrar a santidade da terra é difícil de acreditar
que ele já foi um especialista em arranha-céus.

A conversão de Khalili aconteceu em 1975, aos 37 anos. Sem nenhum aviso, ele vendeu seus escritórios em Teerã e Los Angeles, comprou uma motocicleta e partiu pelas distantes montanhas do Irã rural para estudar a arquitetura local. Ele viajou por cinco anos. “No meio do caminho da minha vida eu parei de competir com os outros. Eu escolhi meus sonhos e comecei uma caminhada humana”, é como Khalili descreve sua jornada em Racing Alone (algo como Correndo Sozinho), o livro que escreveu no retorno à
América. A partir de então, Khalili se focaria exclusivamente em habitação para os pobres.

Durante a expedição iraniana, ele não apenas aprendeu a habilidade de construir elegantes cavernas de barro: ele as melhorou. Descobriu que queimando essas construções tradicionais por três dias, efetivamente tranformando-as em fornos de calor escaldante, elas se tornavam impermeáveis a qualquer coisa que a natureza pudesse trazer, ondas de calor, tempestades de neve, efeito-estufa.

Khalili imediatamente reconheceu o potencial destas construções para receber
emergências, providenciando alívio instantâneo para centenas de pessoas que
ficaram sem casa devido a guerras, enchentes e desastres ambientais. Além disso,
ele continuou a procurar um método de construção ainda mais simples.

Foi aí que ele desenvolveu o superadobe. “Agora tudo que você precisa”, diz Khalili, “é jogar sacos vazios de um avião em uma zona de emergência e colocar um supervisor no solo para mostrar à comunidade local como construir”.

O United Nation’s Institute of Training and Research está premiando as idéias do Instituto Cal Earth, mas Nasserine Azimi, da Unitar, admite que é uma luta convencer as agências de amparo que o superadobe é uma técnica na qual vale a pena investir. “Muitas agências estão presas a um tipo de pensamento e não objetivam tentar algo novo”, argumenta ela. “Mas temos uma situação onde um bilhão de pessoas está em habitações temporárias e todos sabem que é ali que essas pessoas vão nascer e morrer. Com os métodos do Cal Earth é possível construir uma casa permanente por um pouco mais que o preço de uma tenda. E é uma construção sensível ao ambiente local, em termos de produção e aparência.”

Apesar das atrações óbvias, as aplicações práticas dos métodos de superadobe têm sido limitadas. Quarenta habitações criadas por Khalili foram construídas no Irã pelo Alto Comando para Refugiados das Nações Unidas depois da guerra entre Irã e Iraque, e criações em superadobe agora estão sendo utilizadas no Caribe, como parte dos esforços em realocar pessoas depois do Furacão Mitch, que devastou a área no final de 1998.

A Artecnica, uma empresa de arquitetura na Califórnia, está planejando duas vilas de superadobe na República Dominicana. Uma, como um resort de ecoturismo, irá pagar a construção da outra. Pelo menos este é o plano. Eles também estão propondo uma subsidiária caribenha doCal Earth , trabalhando com universidades locais, negócios e agências governamentais para desenvolver mais comunidades de superadobe. A Fundação Cecropia, um grupo ambiental mantido por Woody Harrelson, está fazendo coisas similares na Costa Rica.

A última mania de Khalili é usar a Internet para divulgar suas idéias. Assim, ele consegue ultrapassar problemas oficiais e a burocracia desnecessária, e se comunica diretamente com as pessoas.


Tendo localizado os mais fortes problemas de habitação no planeta, Khalili ensaiou na lua. “Estou interessado na lua como uma solução para a Terra”, ele diz. “É um plano limpo e eu gostaria de mantê-lo puro e sagrado e não contaminado pelo ferro e pela mistura de neblina e fumaça dos dejetos industriais. Eu quero mostrar que o que está lá é suficiente. A lua é um espelho de tudo que fazemos aqui”.

Ele entende bem os desafios especiais de construir na lua. Há o problema das partículas de radiação solar, que ele propõe resolver fazendo as paredes cinco metros mais grossas. Depois há o problema da gravidade. A força universal de Newton é seis vezes mais fraca na superfície lunar que na Terra. Essa diferença permite Khalili orçar habitações que são seis vezes maiores, mas isso também significa que a tensão no interior das estruturas individuais tem de ser seis vezes maior. A solução? Empilhar os sacos de areia de superadobe horizontalmente e usar sacos de velcro.

A sua técnica de superadobe é o modelo perfeito do que os arquitetos chamam de contrução sustentável. Em outras palavras, quase não tem nenhum custo ambiental. Apenas um rolo dos sacos de Khalili constrói um número de paredes suficiente para erguer 20 pequenas estruturas na lua. É isso, ele planeja preencher os sacos de areia com nada mais que pó lunar.

Khalili refere a si próprio como um “sonhador que passa adiante”. Como os melhores escritores de ficção científica, ele possui um talento para inovação que é quase compulsivo. Também como os melhores escritores, o que o move se origina não no longínquo cosmos inalcansável, mas bem perto de casa. “Minha missão”, ele diz, “é dar dignidade à terra, para que as pessoas do Terceiro Mundo, que a possuem sob os pés, não desistam de construir com ela”.

No final da área do Instituto, ao lado dos protótipos lunares, outro prédio está em construção. A forma da habitação ainda está muito parcial para entregar o jogo visualmente, mas vai em breve se transformar em uma casa de três quartos com garagem para dois carros. “O sonho americano em habitação”, diz Khalili.

A diferença é que essa casa está sendo construída em superadobe. A razão é clara: “Primeiro famílias americanas vão morar aqui, depois se pode financiar casas assim, depois vão começar a filmar novelas nessas casas. Somente aí, somente quando a América abraçar a arquitetura de terra é que o Terceiro Mundo terá orgulho do seu próprio patrimônio”.

Fonte: Folha Verde (cache do google)

Superadobe

Saiba mais sobre esta técnica de construção de baixo custo e baixo impacto ambiental! | 28/05/2007

A técnica do superadobe foi desenvolvida nos anos 80 pelo iraniano, radicado nos Estados Unidos, Nader Khalili. As paredes são erguidas simplesmente com sacos preenchidos com subsolo. As construções feitas com esta técnica são sólidas como uma rocha, podendo resistir até a terremotos. São, também, construções com grande isolamento térmico.

O superadobe é, talvez, a maneira mais simples de construir com terra, pois não é necessário fazer qualquer teste com o material, não é preciso peneirar a terra, nem moldá-la e nem acrescentar palha. As paredes são erguidas muito rapidamente, mas é preciso ter uma equipe de pelo menos cinco pessoas.

Cada um na equipe deve ter uma função específica.

Sistema construtivo

O superadobe necessita de ferramentas simples para sua execução:

- um pedaço de cano que servirá como funil (tubo de PVC de 250 mm é o ideal)

- pedaços de sacos de polipropileno (servem também sacos de adubo),

- soquetes

- arame farpado (colocado entre as camadas)

- baldes

- marretas de borracha para aprumar as fiadas.

O saco usado para erguer as paredes é um grande rolo de polipropileno (bobina) com aproximadamente 50 cm de largura. O rolo é cortado em pedaços do comprimento da parede a ser construída, deixando-se uma pequena sobra em cada ponta para fazer o acabamento.

Este grande saco vai sendo preenchido com terra, com a ajuda de um cano que funciona como um funil. Assim vão sendo formadas as “fiadas” (camadas) que depois são – bem – socadas, cobertas por outra fiada e assim sucessivamente, até a parede ser completamente erguida.


As camadas devem ser bem socadas. O soquete da foto acima foi improvisado com um cabo de enxada e uma lata de tinta.

Dicas da tecnologia

As paredes devem ser isoladas do contato com o chão, para evitar problemas com umidade. Como fazemos isso? Simples, utilizando o próprio superadobe, só que em lugar de terra usamos areia e cimento, na proporção 9/1, nas primeiras fiadas, até acima do nível do solo.

É muito importante que as fiadas sejam muito bem socadas. Quanto mais compactada, melhor será a sua parede. Sempre fique atento ao prumo!

As paredes de superadobe são estruturais, portanto dispensam a construção de pilares ou vigas, e permitem instalações elétricas e hidráulicas embutidas ou aparentes.

Após a remoção do saco, o recomendado é a utilização de um reboco natural.

Descubra TUDO sobre o superadobe: colocação de janelas, telhados, remoção adequada do saco, preparo do reboco, instalação elétrica e outras dicas, diretamente da fonte, participando do BioConstruindo 2007 – O primeiro e maior evento de construção natural da América Latina! Já em sua 7ª Edição!

Acesse o site do curso para mais informações:

BioConstruindo 2007

Veja a galeria de fotos de construções com superadobe realizadas pelo Ecocentro IPEC clicando aqui!


Repare que as primeiras camadas de casas utilizam cimento.

Ecocentro IPEC

Fonte: Ecocentro.org

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~ por arauto do futuro em maio 22, 2009 sexta-feira.

12 Respostas to “Superadobe – “Bio Casas””

  1. Genial!!!
    Preciosas informações!

  2. onde podemos comprar os sacos de super adobe em metragem acima de 100 metros

    • Eles são vendidos em rolos de 2500 metros e não custam caro, da pra se fazer muitas casas com esses rolos . Custam em torno de R$ 1.500,00 um rolo com 2,5 km de extensão.

  3. desejamos utilizar o super adobe para contenção de alagamentos, em areas de rio , lamina baixa, que pode subir até 2 metros, será que o super adobe com proteção de solo cimento, na parte de tras comportaria esta barreira

  4. desejamos utilizar o super adobe para contenção de alagamentos, em areas de rio , lamina baixa, que pode subir até 2 metros, será que o super adobe com proteção de solo cimento, na parte de tras comportaria esta barreira

  5. Legal, este tipo construção ótima alternativa pra quem quer trocar energia com anatureza sentindo- a como seu lar!!! Mas tenho uma dúvida no que concerne a cnstrução depois que os sacos estiverem se decompondo ocorre risco de soltar as paredes é ´so terra mesmo depois de certa altura ???

    • Oi Thiago,

      Sim bem interessante mesmo estas construções, veja que não é necessário esperar a decomposição dos sacos , é possível retirar o que fica aparente deixando apenas a terra que depois de bem socada não desmancha não, é possível também fazer um tipo de reboco natural como se pode observar nos vídeos e links postados.

      Agradecemos sua participação!

  6. Muito legal esta idéia de recomeçar-mos a construir nossas casas de “taipa”, aqui no RS já vi bons modelos delas feitas por escravos nos quilombos. Muito boa a idéia.

  7. [...] em que o concreto e o cimento eram sinônimos de progresso. O iraniano Nader Khalili desenvolveu o superadobe, basicamente terra ensacada reforçada por arame farpado, para um projeto da NASA para habitações [...]

  8. É bom demais poder derrubar velhos conceitos, preconceitos e absorver novos valores. Acredito ser revolucionário a permacultura na medida em que ela nos liberta completamente do sistema cruel imobiliário e inaugura uma nova forma de viver- mais equilibrada e harmonica com a natureza. A muito já nao acredito nos modelos de progresso vendidos pelas elites dominante desse país. Um grande abç a todos.

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