Reflexos & ações

Reflexos & ações

“Um novo homem,

um homem completamente transformado

vai aparecer em cena,

um ser capaz de quebrar as cascas do homem velho

e não olhar apenas para

um novo céu e uma nova terra,

mas SER, ele mesmo, o seu próprio Criador.”

Carl Gustav JUNG

*

“Não tenho um caminho novo.

O que eu tenho de novo

é um jeito de caminhar.”

Thiago de Melo

*

“Se afrouxares demais a corda, ela não toca;

se apertares demais, ela arrebenta.”

Palavras de um professor ao ensinar como se afina um instrumento de

corda. Neste momento, Siddharta Gauthama passava pelo local e intuiu

a base de sua filosofia espiritual:

O Caminho do Meio.

[Buddha]

*

Só, Sozinho e Solitário / João de Abreu Borges

Há uma grande diferença entre ser só e ser sozinho.
Distanciamo-nos mais ainda, quando tentamos compreender o que é ser solitário, se antes não procurarmos definir aquelas duas condições anteriores.

Logo de início, podemos sintetizar:

a) encontrar-se só, significa estar pleno em si mesmo, conseguindo distinguir todas as vozes em sua própria voz;

b) encontrar-se sozinho, significa perder-se diante de um turbilhão de imagens, esquecendo-se de si mesmo, como se o espelho virasse ao contrário; e

c) encontrar-se solitário é enxergar vida apenas na morte; é morrer com prazer; assumir seu cansaço existencial; iludir-se com estímulos que já não é possível identificar de onde vêem.

Em qual destas três condições existe a angústia do egoísmo ou o êxtase da solidariedade?

Em qual delas sobrevive, de forma medíocre, a autofagia dos insaciáveis ou a divinização do espírito humano?

Vejamos:

a) estar só é encontrar-se;

b) estar sozinho é perder-se junto aos outros;

c) estar solitário é cronometrar a própria morte.

Precisamos muito da Filosofia – enquanto terreno fértil à expansão de ideais humanistas – para estarmos sós e nos sentirmos bem.

A Religião – em especial as que atormentam os seres com dogmas e martírios – serve de abrigo para quem se encontra sozinho.

A Ciência – caminho rígido que inverteu a evolução da humanidade, atraindo-lhe com os imediatismos de suas conquistas “racionais” – é habitat perfeito para quem atravessa a vida sem transpassá-la.

No exato momento em que uma pessoa sente-se vazia, seja por dentro, seja por fora, ou das duas formas, ela deve imediatamente se perguntar: “Estou só, sozinha ou solitária?”

Para o homem oriental (com sua cultura altamente espiritualizada, e situado no hemisfério intuitivo do “cérebro” de nosso planeta), a resposta soa brilhante e sóbria: “Só!”.

Para o homem ocidental (que mantém seus deuses bastante ocupados na proteção de seus bens materiais), a resposta seria rápida e cruel: “Sozinho!”.

“Solitário!”. Esta, infelizmente, poderá ser a resposta do homem do futuro, diante do resultado de tantos estragos que estamos cometendo hoje.

Um homem só, encontra uma ambiência interior perfeita para alcançar um elevado nível de auto-conhecimento, tão elevado que o permitirá, temporariamente, sentir-se sozinho sem se perder, mais adiante, sentir-se até mesmo solitário e não morrer, voltando-se sempre (e ao final de qualquer experiência) para si mesmo como quem volta para casa e reencontra seus objetos pessoais no mesmo lugar, em especial aquele que lhe é mais caro: o aconchego em seu próprio coração.

*

“A meta da vida é nascer plenamente,

embora sua tragédia consista em que

a maioria dos homens morre antes

de haver nascido assim.”

Eric Fromm


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~ por arauto do futuro em outubro 20, 2008 segunda-feira.

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