A cientista que curou seu próprio cérebro.

My stroke of Insight

Jill Bolte Taylor, neuroanatomista, intelectual. Dra. de Harvard dedicada ao estudo de enfermidades mentais. Jill Bolte Taylor um dia amanheceu com uma embolia cerebral onde teve a oportunidade de estudar em si mesma os efeitos de um derrame na parte esquerda de seu cérebro.

Legendas em espanhol.

20/10/200810h11

Neurocientista vê seu cérebro se deteriorar

AMARÍLIS LAGE
da Folha de S.Paulo

Às 7h de uma manhã de inverno, Jill Bolte Taylor acordou com uma forte dor de cabeça. A luz do sol ofuscava seus olhos. Ao ir até o banheiro, notou certa dificuldade para se equilibrar. Além disso, seu raciocínio estava confuso. Ainda assim, conseguiu tomar banho e se vestir. Só quando seu braço direito ficou paralisado, entendeu: estava tendo um derrame.

Neuroanatomista do Banco de Cérebros de Harvard, Jill passou as quatro horas seguintes observando a própria deterioração cerebral. O processo afetou linguagem, memória e movimentos –e a levou ao “nirvana”. Era dia 10 de dezembro de 1996, e Jill tinha 37 anos. Neste ano, ela galgou a lista de mais vendidos nos EUA com o relato de sua recuperação –“A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro” (Ediouro).

O nirvana de Jill decorreu de especificidades de seu AVC (acidente vascular cerebral). Ela teve uma hemorragia no lado esquerdo do cérebro, ligado ao raciocínio lógico.

Com o dano, prevaleceu o lado direito, mais abstrato e emocional. O resultado, conta, foi a suspensão da noção de tempo e a sensação de união com o universo.

Nesse ínterim, teve algumas “ondas de clareza”. Numa delas, lembrou o telefone da mãe, mas não quis preocupá-la. Então ficou esperando outra “onda” que lhe permitisse lembrar o telefone do trabalho.

Quando conseguiu ligar, descobriu que não sabia mais falar. Por sorte, reconheceram sua voz.

“Não senti medo”, disse Jill à Folha. “Eu era uma cientista vendo meu cérebro avançar nesse processo incrível de deterioração e não previ que ficaria tão doente. E, quando chegou a hora em que eu poderia morrer, senti uma profunda paz.”

A sensação era tão prazerosa que ela diz ter se questionado sobre o benefício da recuperação –o simples ato de ligar uma palavra à imagem mental certa levava horas e a deixava esgotada. O que a motivou a deixar a “divina serenidade” e encarar a reabilitação foi o desejo de ensinar aos outros como atingir a mesma tranqüilidade.

O que Jill propõe é uma forma de aquietar o lado esquerdo do cérebro para aproveitar as vantagens do lado direito.

Uma de suas estratégias consiste em focar a atenção em aspectos sensoriais (como aromas e sons) para se prender ao presente. Outra dica é orar e meditar. No livro, Jill cita um estudo que relaciona a neuroanatomia a experiências espirituais. A pesquisa avaliou praticantes de meditação e freiras e constatou que essas práticas reduziam a atividade de certas áreas do lado esquerdo.

“Nossa habilidade de experimentar a religião e a fé é baseada no cérebro. Quando os neurônios são ativados ou inibidos, experimentamos a união com algo maior”, afirma Jill.

Críticas

Pelo tom de auto-ajuda, o discurso atrai críticas. “Há cientistas com a cabeça fechada que estão interessados em discutir a ciência no livro, mas não há uma ciência nova lá. Só uma vivência que condensa o que já se sabe”, diz Jill.

Para ela, um dos melhores “remédios” foi o sono. Nas primeiras semanas após o AVC, sua rotina consistia em dormir por seis horas, passar 20 minutos acordada, tentando alcançar algum avanço cognitivo ou físico, e dormir de novo.

Ela também destaca o estímulo que recebeu da mãe nas atividades do dia-a-dia: perguntas cujas respostas eram “sim” ou “não” foram substituídas por questões de múltipla escolha, para que a filha precisasse elaborar uma resposta. “Embora saibamos muito sobre o cérebro, acho que temos um trabalho relativamente pobre na reabilitação cerebral”, afirma Jill. “Não honramos o poder curativo do sono. Nos EUA, é comum acordar os pacientes cedo, dar-lhes anfetaminas e empurrá-los para um local repleto de estímulos, com TV ou rádio ligados. Meu cérebro queria dormir justamente para não ter de processar a estimulação excessiva.”

Outro erro comum, a seu ver, consiste em dizer aos pacientes que a recuperação pára após os primeiros seis meses. Jill só voltou a fazer operações matemáticas, por exemplo, cinco anos após o trauma.

Hoje, ela dá aulas de neuroanatomia na Universidade Indiana e retomou uma atividade: a de “cientista cantora”.

A alcunha surgiu quando Jill iniciou uma campanha em prol da doação de cérebros para pesquisa. Como o tema deixava as pessoas tensas, ela tentava descontraí-las passando a mensagem por meio de músicas.

Seu interesse sobre o cérebro tem uma origem familiar. Com um irmão portador de esquizofrenia, ela queria entender como ele pensava. Acabou entendendo mais sobre si mesma.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u458105.shtml

Escritora conta como venceu um derrame
A neuroanatomista Jill Bolte Taylor lança o livro ´A Cientista que Curou seu próprio Cérebro`, em que descreve a sua luta contra o AVC
Da Redação
Já imaginou passar por um acidente vascular cerebral (AVC)? Esse momento muda completamente a vida de uma pessoa. Alguns desistem no primeiro instante e acreditam que nada irá fazer a diferença. Enquanto outros lutam para conseguir sobreviver e finalmente vencerem o derrame.

Esse foi o caso da neuroanatomista Jill Bolte Taylor, autora do livro “A Cientista que Curou seu próprio Cérebro” (Ediouro, R$ 29,90). Na obra, ela conta sua experiência desde a consciência do que estava acontecendo no momento do derrame, como encarou o problema e até a sua interferência na reconstrução do próprio cérebro, nos oito anos de sua recuperação.

“Eu agora existia em um mundo entre mundos. Não podia mais me relacionar com as pessoas fora de mim, mas minha vida não fora extinguida”, disse Jill, que atualmente é considerada pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo.

A história que mudou a sua vida

Em 1996, Jill Taylor, que tinha 37 anos, acordou com uma dor penetrante atrás do olho esquerdo, mas seguiu sua rotina. No banho, já com a visão turva e sem distinguir onde era o começo e o final do próprio braço, ela se deu conta do que acontecia: “Caramba, estou tendo um derrame”.

Teve tempo de ligar para seu escritório e pedir ajuda. Em poucos minutos já não compreendia a voz do outro lado da linha. Não andava, não falava, não lia nem escrevia.
Um amigo a levou ao hospital, onde passou por uma cirurgia. O desejo de contar aos outros sobre o estado de nirvana que atingiu a motivou fortemente a se curar.

Leia mais na fonte:

~ por arauto do futuro em outubro 23, 2008 quinta-feira.

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