Curando a Nós Mesmos

Curando a Nós Mesmos

“Nos EUA, o conceito de saúde holística foi legitimado por programas federais e estaduais, endossado por políticos, estimulado e endossado por companhias de seguros.” A esperança de uma verdadeira transformação social não precisa repousar em evidências circunstanciais. Uma das áreas principais – os cuidados com a saúde – já começou a experimentar uma profunda mudança. A iminente transformação da medicina é uma abertura para a transformação de todas as nossas instituições.

Vemos o surgimento dos que buscam de modo autônomo a saúde, a transformação de uma profissão, o impacto de novos modelos da ciência, a forma pela qual redes descentralizadas estão efetuando uma modificação realmente profunda, acelerando uma mudança de paradigma, alterando nossa imagem da saúde e nossas expectativas. Valorizam-se o “aikidô político” em lugar da confrontação, a exploração das fontes de poder já existentes, o potencial das psicotecnologias e poder da intuição, dos laços humanos e da atenção ao que vem de dentro. Apesar de toda a sua fama de conservadora, a medicina do Ocidente está passando por uma surpreendente revitalização.

Tanto pacientes como profissionais começam a ver além dos sintomas, atingindo outros contextos da enfermidade: tensão, sociedade, família, alimentação, momento, emoções.

Os hospitais, de longa data bastiões de uma eficiência árida, estão se apressando em proporcionar ambientes mais humanos para nascimento e morte, normas mais flexíveis. Sustentados por uma tempestade de pesquisas sobre a psicologia da doença, os profissionais que anteriormente separavam a mente do corpo tentam juntá-los de novo. Ninguém percebera como o velho modelo médico era vulnerável.

Em poucos anos, sem que nenhum tiro fosse disparado, o conceito de saúde holística foi legitimado por programas federais e estaduais, endossado por políticos, estimulado e endossado por companhias de seguros, aceito sua terminologia (ainda que sempre na prática) por muitos médicos, e adotado por estudantes de medicina.

Os consumidores exigem a “saúde holística”, um novo tipo de empresários a promete e grupos médicos procuram porta-vozes que a expliquem.

Artigos sobre o contexto humano da medicina aparecem com crescente freqüência na imprensa especializada.

Um ex-editor do Journal of the American Medical Association descreveu seu próprio emprego do toque uma batidinha nas costas, um caloroso aperto de mão.

Ele acha que os profissionais modernos podem ouvir melhor os órgãos do que os bons clínicos antigos, mas que os antigos ouviam melhor as pessoas.

“Desconfio que ocorreu alguma atrofia de nossos sentidos de diagnose quando a observação subjetiva foi substituída pelas informações objetivas dos laboratórios”.

Uma outra publicação Médica expressou num editorial sua preocupação sobre “as habilidades esquecidas” a necessidade de novos médicos reconhecerem os aspectos espirituais, psicológicos e sociais da doença. MEDICINA EU-TUParecemos ter atravessado um período de “ciência” médica árida, e agora começamos a voltar. Os próprios médicos estão escrevendo e falando a respeito da dimensão perdida na cura.

Um editorial no American Medical News censura a crise de relações humanas na medicina:

“A compaixão e intuição foram esquecidas… Os médicos devem reconhecer que a medicina não é sua reserva particular; mas uma profissão em que todas as pessoas têm um interesse vital…

Será preciso grande habilidade médica para corrigir uma importante falha – o senso de amor não correspondido do paciente”.

Um artigo em uma publicação de odontologia citou Teilhard de Chardin: “O amor é o aspecto interno, emocionalmente abrangente, da afinidade que aproxima e une os elementos do mundo… O amor é de fato o agente da síntese universal.”

Em Modern Medicine, um médico escreveu com amargura sobre “O Desuso das Mãos”.

“Os barmen, disse ele, fazem com que as pessoas sintam-se melhor, mas nós, médicos, normalmente fazemos com que se sintam pior”.

Simpatia e consolo foram deixados para outros profissionais, muitos deles fora da corrente principal da medicina. “Aos médicos restaram os formulários de requisição de exames e os blocos e receitas para que prossigam em sua cada vez mais automatizada, polida, científica e impessoal ‘arte’.”

Um pungente relato de um cirurgião-ensaísta descreveu o médico do Dalai-Lama percorrendo um hospital americano. O médico tibetano fez um diagnóstico através do pulso de uma paciente:

“Durante a meia hora seguinte ele permaneceu assim, inclinado sobre a paciente, como um exótico pássaro dourado com as asas dobradas, mantendo o pulso da mulher sob seus dedos, aninhando a mão dela na sua. Toda a força do homem parecia ter-se concentrado nesse objetivo… E sei que eu, que tomei mais de 100.000 pulsos, nunca senti verdadeiramente um deles.”

“O tibetano, diz o ensaísta, diagnosticou com precisão um tipo de perturbação cardíaca congênita, com base apenas no pulso da paciente.”

“A atitude terapêutica deveria ser ‘O que posso fazer para ajudar?’. Nós deveríamos oferecer simpatia e auxílio antes de pedirmos os primeiros testes.”

Marilyn Ferguson – A Conspiração Aquariana

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~ por arauto do futuro em outubro 27, 2008 segunda-feira.

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