O OPONENTE

O Oponente:

o material de que é feito a morte

Ele é um parasita mortal, um guarda de prisão que se impõe, não pondo-nos em uma cela, mas por colocar a si mesmo dentro de nós. Ele é uma força negra movendo-se dentro de nossos corpos, pensando dentro de nossos cérebros e comandando nossas ações indefinidamente, tudo isso com o objetivo de obter nossa aniquilação total e absoluta.

Nós não vivemos, ele vive em nós.

Os antigos cabalistas chamavam o Oponente de inclinação para o mal. Mal, por causa da campanha bruta de confusão, esquecimento, dúvida e desespero com a qual ele bombardeia nossas almas. Mal, porque ele nos liga ao Desejo de Apenas Receber para Si. Mal, porque ele é uma força que permeia o universo, trabalhando 24h/7d para bloquear nossa verdadeira natureza e nos aprisionar na dor, sofrimento e morte.

Nós não vivemos, ele nos vive.

O oponente nos convenceu que nós somos indivíduos livres, ao passo que 99% de nossos pensamentos são dele. Ele nos convenceu que o Ego é o nosso maior amigo quando, de fato, ele é o nosso inimigo mais poderoso. Ele é a razão de nós vivermos naquilo que é externo à nossa natureza divina – o ego – ao invés de vivermos em nossa essência, que é o Desejo de Compatilhar.

Certo dia somos inspirados por um pedaço de sabedoria. Ele ressoa bem dentro de nós, como uma memória antiga. Nós ficamos intrigados, inquisitivos. Então, repentinamente, nós nos lembramos de uma multa de estacionamento proibido que nós esquecemos de pagar. Em seguida nós percebemos que estamos um pouco com fome e pensamos em ter um lanche. Em poucos minutos nós esquecemos completamente da sabedoria. Isto não é acidente. Não é nós. É ele. Então nos lembramos, eu posso ficar livre do sofrimento e da morte, pensamos com nossos botões. Então uma voz interna diz, “Não seja ingênuo(a)”. Não é nós. É ele. “Ninguém escapa”, a conversação em nossas mentes continua. “Não se iluda. A vida é sofrimento e no final você morre. Qualquer um que fale algo diferente o faz para tirar lucro. Você está deprimido(a), mas pelo menos você não é um bobão”. Não é nós. É ele.

Isto é uma fotografia da vida na prisão. Este é o Oponente trabalhando duro, manipulando os portões.

Ele vive em nossos corpos, e nós nem ficamos zangados com ele. Ao invés disso, nós nos focamos em ter boa aparência, não compreendendo que este desejo nos faz escravos de todos que nos vêem. Não é nós. É ele. Nós amaldiçoamos o motorista que nos cortou a frente no cruzamento, não percebendo que nós estamos sacrificando nossa saúde, nosso senso de bem-estar nesta manhã de nossas vidas por causa de alguém que nós nem conhecemos. Não é nós que deseja gritar pela janela do carro, é ele.

A coisa fica pior. O Desejo de Apenas Receber para Si significa guerra permanente com o mundo físico. O Oponente nos convence que nós temos direito a conforto, e então nos diz que devemos ficar irritados quando qualquer coisa não acontece do nosso jeito. Novamente, não é nós. É o Oponente.

Nós acreditamos que nós somos o princípio ativo em nossas vidas, mas nós estamos apenas reagindo constantemente. Nós não controlamos. Nós somos controlados.

Não é nós. É ele.

E agora nós nunca precisamos ser enganados novamente pela raiva, depressão ou medo. Isso porque cada ocasião que nós estamos prestes a agir, ou melhor reagir, nós iremos nos perguntar, “Isto é eu ou isto é ele?” e nós iremos saber se é nós se isso está nos movendo para mais perto de nos tornarmos como Deus.


~ por arauto do futuro em fevereiro 6, 2009 sexta-feira.

2 Respostas to “O OPONENTE”

  1. http://vivendodaluz.com/PT/amboflight/hira_ratan_manek.html

  2. O que você escreveu sobre o Oponente faz sentido, mas acho que precisamos evitar cair para uma visão maniqueísta, dualista, que divide o mundo entre o bem e o mal e nos coloca do lado do bem e com a missão de combater o mal. Essa noção é típica de todas as religiões do mundo, que a usam para subjugar nossos espíritos livres. Acho que o dualismo é algo que precisa ser tão fortemente combatido quanto o ego ou o Oponente. Não podemos cair no velho erro de “jogar a culpa” em algo externo a nós e com isso isentarmo-nos da responsabilidade pelos nossos atos, palavras e pensamentos. A superação “do bem e do mal” também é condição para o surgimento de uma consciência mais evoluída e integral no plano terreno.
    Aliás, escrevi algo sobre o ego em alguns posts recentes, veja lá no meu blog.

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