Quem disse que o Brasil não treme?

Ontem G1 noticiou: Tremor de terra 4.8  é registrado no Norte de MS

Vamos entender um pouco sobre:

Tremores de terra no Brasil

Artigo de Paulo Fabricio Moreira

1 INTRODUÇÃO

Os terremotos são conhecidos como tremores de terra ou formalmente, abalos sísmicos. O terremoto é um abalo violento do solo que dura de um a dois minutos. O chão começa a tremer e provoca o desmoronamento de casas, os móveis caem e os vidros quebram.

Eles fazem parte de um processo endógeno da Terra, na qual faz-se uma vibração na superfície devido a forças naturais no interior da crosta terrestre.

Os terremotos sempre estiveram presentes no planeta, sendo que um grande número deles ocorrem em solo marinho ou regiões desabitadas.

2 POR QUE E COMO OCORREM

A Terra é formada por camadas; a hidrosfera, a atmosfera e a litosfera. Esta última é a camada mais rígida da Terra e divide-se em partes menores chamadas placas tectônicas. As principais causas de um terremoto são:
· movimento das placas tectônicas (causa principal e que causam mais danos)
· erupção vulcânica (raros casos em que causam danos)
· impactos de meteoros (muito raro)
· desmoronamento de grandes estruturas (desabamento de cavernas, minas)

O movimento das placas tectônicas faz com que essas placas choquem umas nas outras, formando assim uma tensão nas bordas das placas. Quando a energia se concentra em alto nível e não suporta reprimir as forças acumuladas internamente, ocorre a emissão dessa energia que é liberada sob forma de ondas elásticas, chamadas de ondas sísmicas.

Essas ondas podem se espalhar em todas as direções fazendo a terra vibrar intensamente, ocasionando os terremotos. Alberto Veloso, (2006) nos dá uma definição específica sobre este fenômeno:

A maioria dos terremotos resulta de processo geológico que tem seu clímax quando ondas sísmicas sacodem o chão após uma quebra no terreno. Tal processo pode tardar dezenas ou centenas de anos para se desenvolver, e sabemos também que os terremotos se repetem; eles costumam acontecer em locais onde ocorreram anteriormente. Não é impossível que tremores fortes tenham sacudido nosso país no passado, e poderiam voltar a acontecer nos dias atuais.

3 ESCALA RICHTER

A escala Richter é um sistema criado por dois americanos, a cerca de setenta anos para medir os movimentos sísmicos na Califórnia. Charle Richter e Bueno Gutemberg desenvolveram um sistema que mede a potência de um tremor em determinado lugar.

A escala Richter é pontuada de um a nove. Cada grau corresponde a ondas dez vezes mais fortes, a uma potência trinta vezes superior. Assim, por exemplo, um terremoto de grau nove na escala Richter é 900 vezes mais potente que um tremor de grau sete.

Intensidade ou magnitude dos terremotos:
· Menos de 3,5 – não é percebido pelas pessoas;
· 3,5 a 5,4 – freqüentemente não se sente mas pode causar danos;
· 5,5 a 6,0 – causa pequenos danos, principalmente em edifícios mal construídos;
· 6,1 a 6,9 – pode causar danos graves, principalmente em lugares muito povoados;
· 7,0 a 7,9 – terremoto de grandes proporções com danos graves muitas mortes;
· 8,0 ou mais – destruição total do local atingido e afeta lugares vizinhos.

4 TERREMOTOS NO BRASIL?

A pouca incidência de terremotos no Brasil é proveniente de sua localização no centro da placa Sul-americana. Justamente por isso, acreditou-se que nosso país estivesse a salvo de terremotos, mas a recente história sismográfica brasileira nos mostra o contrário.

Confira alguns tremores registrados:
· São Paulo – 1922 – 5,1 pontos na escala Richter;
· Espírito Santo – 1955 – 6,3 pontos na escala Richter;
· Mato Grosso – 1955 – 6,6 pontos na escala Richter;
· Ceará – 1980 – 5,2 pontos na escala Richter;
· Amazonas – 1983 – 5,5 pontos na escala Richter;
· Rio Grande do Norte – 1986 – 5,1 pontos na escala Richter;
· Minas Gerais – 2007 – 4,9 pontos na escala Richter.

Segundo Ronaldo Decicino (2002): “Os tremores que ocorrem em nosso país decorrem da existência de falhas (pequenas rachaduras) causadas pelo desgaste da placa tectônica ou são reflexos de terremotos com epicentro em outros países da América Latina.”

5 FALHAS GEOLÓGICAS

Um estudo feito em 2002, coordenado pelo professor Saadi (UFMG), culminou com a apresentação do primeiro mapa neotectônico do Brasil. Nele, Saadi e sua equipe identificaram pelo menos 48 falhas-mestras no território nacional. E é justamente ao longo do traçado dessas falhas que se concentram as ocorrências de terremotos.

O professor Saadi (2002) ainda explica que:

Toda placa é recortada por vários pequenos blocos, de várias dimensões. Esses recortes, ou falhas, funcionam como uma ferida que não cicatriza: apesar de serem antigos, podem se abrir a qualquer momento para liberar energia. Se você tem um bloco recortado e o comprime de um lado e de outro, ele rompe onde já existe a fratura.

6 AS REGIÕES MAIS PROPENSAS

O maior número de falhas se concentra nas regiões Sudeste e Nordeste, seguidas pela região Norte e Centro-oeste. A região Sul é a que apresenta o menor número de falhas.

A partir da análise de mapas topográficos e geológicos, verifica-se que o Nordeste é a região que mais sofre com abalos sísmicos. O segundo ponto de maior índice de abalos sísmicos no Brasil é o Acre.

Mesmo quem mora em outras regiões não deve se sentir imune a esse fenômeno natural. Embora grande parte dos sismos brasileiros sejam de pequena magnitude, a história tem mostrado que, mesmo em regiões tranqüilas podem acontecer grandes terremotos.

7 MINAS GERAIS TREMEU

Com o auxílio do mapa neotectônico do Brasil, podemos ver que o Estado de Minas Gerais é cortado por diversas falhas geológicas: BR24, 25, 26, 27, 28, 29 e BR47. Chama a atenção à falha BR47, localizada no norte do Estado e situada à margem esquerda do rio São Francisco, exatamente abaixo da cidade de Itacarambi, onde em 9 de dezembro de 2007 ocorreu um dos maiores tremores registrados no Brasil.

O abalo derrubou 76 casas, condenou várias outras e levou a óbito uma criança, a primeira vítima de terremotos da nossa história. Este tremor de intensidade de 4,9 graus na escala Richter, não tem uma explicação definitiva, mas é provável que o agente causador seja a falha geológica localizada a cinco quilômetros abaixo da superfície.

7 CONCLUSÃO

Os terremotos sempre existiram e sempre irão existir. Não existe uma fórmula de contê-los, cabe a nós saber conviver e lidar com este fenômeno da natureza. Sabemos, por exemplo, que um terremoto pode causar: vibração do solo, abertura de falhas, deslizamento de terra, tsunamis e até a mudança na rotação da Terra.

O importante é saber o que fazer em caso de terremotos, eis algumas dicas:
· quando estiver nas ruas tente se afastar de fios de alta tensão e postes;
· não utilize elevadores, você pode ficar preso e não é raro os casos de incêndio em terremotos;
· se estiver dentro de casa, proteja-se debaixo de uma mesa e procure sair o mais rápido possível para um lugar aberto;
· afaste-se de paredes e prédios;
· o mais importante é não entrar em pânico. Tentar agir com a cabeça fria e procure sempre um lugar aberto.

8 REFERÊNCIAS

VELOSO, Alberto.Qual o Perigo de Nossos Terremotos? 2006. Disponível em:
. Acesso em: 5 out. 2008.

DECICINO, Roberto. Regiões Brasileiras e Abalos Sísmicos. 2002. Disponível em:
. Acesso em: 5 out. 2008.

SAADI, Allaoua. Falhas Geológicas Brasileiras. 2007. Disponível em: . Acesso em: 5 out. 2008.

Fonte: aqui

~ por arauto do futuro em junho 17, 2009 quarta-feira.

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