ASTRONOMIA

ASTRONOMIA


Publicaremos nesta página notícias sobre Astronomia durante este ano de 2009.

Leia o que publicamos no arauto do futuro em:

03-04-2009:

CALMARIA NO SOL

12-01-2009:

Aurora Boreal

Tempestades

13/01/2009 – 10h07

Apagão em estrela reforça teoria de cientista brasileiro

EDUARDO GERAQUE
enviado especial da Folha de S.Paulo a La Serena (Chile)

Às 3h35 da manhã (4h35 de Brasília) de segunda-feira em La Serena, no Chile, o astrônomo Augusto Damineli, 61, sentava-se na cadeira que permite controlar o telescópio Soar (Observatório do Sul para Pesquisa Astrofísica). Ansioso, testemunhou um fenômeno que poucos tiveram oportunidade de ver, ocorrido em Eta Carinae, uma estrela que ele estuda há 20 anos. Ontem, bem no dia em que Damineli havia previsto, a estrela sofreu um apagão.

O prédio de controle do Soar, na verdade, fica a 80 km do equipamento, que está no topo de Cerro Pachón, a 2.701 metros de altitude. “Astrônomo não pode por muito a mão no telescópio”, brinca o cientista brasileiro. Em La Serena, 475 km ao norte de Santiago, na beira do Pacífico, o observatório fica próximo de centros produtores de vinho e pescado. E, ontem, não faltou motivo para abrir uma garrafa.

Reuters
Imagem mostra sistema da Eta Carinae; conforme previsto por pesquisador brasileiro, estrela sofreu um apagão nesta segunda-feira
Imagem mostra sistema da Eta Carinae; conforme previsto por pesquisador brasileiro, estrela sofreu um apagão nesta segunda

Controle remoto

“Patrício! A Eta Carinae.” O pedido que parte de La Serena vai em direção ao astrônomo chileno Patrício Ugarte, que está no morro. Ele, sim, é quem pode por as mãos no telescópio. Segundos depois, é possível ver e ouvir a resposta (via teleconferência): “Pronto!”.

O espelho de 4,2 metros do Soar, a partir das coordenadas dadas por Ugarte, já está olhando para Eta Carinae. Damineli, com auxílio do também brasileiro Luciano Fraga, que há um ano e sete meses trocou Florianópolis pelo norte do Chile, faz as primeiras medições, via computador.

Basta um único gráfico, que mostra a presença dos elementos químicos ferro e nitrogênio –medidos nos gases que circundam Eta Carinae– para comprovar a previsão. “Chegou lá”, comunica Damineli. A “assinatura” do apagão é uma diminuição na luminosidade de nitrogênio e hélio detectados pelo telescópio, que enxerga frequências de luz invisíveis ao olho humano. O apagão não é visível a olho nu, mas no Soar o sinal é mais do que claro.

Cinco anos e meio

O fenômeno, como havia sido previsto pelo próprio pesquisador brasileiro, voltou a ocorrer depois de 5,5 anos, dentro da margem de erro, que era de dois dias para mais ou para menos. “Isso que é precisão”, Damineli diz à estrela que observa. “Se eu tiver uma neta, vou colocar o nome de Carina.”

Damineli explica que Eta Carinae, na verdade, não é uma estrela única, e sim um sistema com duas. Ontem, no céu, perto do Cruzeiro do Sul, a estrela Eta Carinae B estava no momento mais profundo de seu mergulho no campo de influência da estrela A, que possui 2,5 milhões de anos.

Os gases e o plasma dessa estrela pertencente à classe das hipergigantes azuis são tão coesos que é possível dizer que uma estrela “entra” na outra. O que ocorre é uma colisão violenta de seus “ventos” –as partículas carregadas que as estrelas lançam a grandes velocidades no espaço.

“Na área de choque dos ventos das duas estrelas, a temperatura é de 100 milhões de graus Celsius”, explica Damineli. O vento da menor delas, de 3.000 km/s, bate no vento da maior, que trafega a 600 km/s. E esse “atrito” induz o apagão.

Eduardo Geraque/Folha Imagem
Astrônomo Augusto Damineli, em sala de controle do Soar; ele já estava em La Serena se preparando para o evento havia um mês
Astrônomo Augusto Damineli, em sala de controle do Soar; ele já estava em La Serena se preparando para o evento havia um mês

O registro do fenômeno ontem em La Serena –cidade onde nunca chove, mas fica nublada nas manhãs de verão– é como “marcar um gol”, diz Damineli. Ele já estava lá se preparando para o evento havia um mês. Na semana entre Natal e Ano Novo, subiu até o telescópio acompanhado apenas de um colega para fazer pessoalmente algumas observações.

Ciência nas alturas

“Lá em cima é muito bom”, diz Damineli, revelando também o seu gosto pela astronomia romântica. Hoje, devido à tecnologia, boa parte dos equipamentos podem ser operados remotamente, de qualquer parte do mundo. “Não poderia perder a oportunidade de observar esse apagão.” Sua presença lá era considerada importante, já que boa parte da biografia “quase acabada” de Eta Carinae saiu de estudos feitos por seu grupo, na USP (Universidade de São Paulo).

A primeira observação que Damineli fez de Eta Carinae foi em 1989, no Brasil, onde não há nenhum telescópio –nem tempo bom– como o Soar. Depois disso, Damineli assistiu a três apagões, com o de ontem.

Ele quem primeiro defendeu o modelo de que Eta Carinae era um sistema duplo, e não uma única estrela. Além da previsão do ciclo exato de 5,5 anos para ocorrer o apagão. Sua teoria ainda não é unanimidade na comunidade de astrônomos, mas a observação de ontem deve lhe dar força.

O apagão não é como um eclipse nem pode ser visto dentro da faixa de luz do visível. São apenas os canais de alta energia da estrela maior que somem. A presença do astro menor muito próximo do maior (a distância que normalmente é de 4,5 bilhões de quilômetros cai para 150 milhões de quilômetros) ofusca a energia que emana da Eta Carinae A. Damineli constatou isso por meio de sinais dentro da faixa do ultravioleta.

Matéria da vida

Eta Carinae, exótica por si só, chama a atenção dos cientistas há tempos. São publicados em todo mundo dois estudos por mês sobre a estrela. Mas há razões científicas importantes para estudar esse verdadeiro fóssil estelar –corpos celestes como esse existiam aos milhões nos primeiros 2 bilhões de anos do Universo, que hoje tem 13,7 bilhões de anos de idade.

“Estrelas como a Eta Carinae são especialistas em produzir e liberar oxigênio. Essas estrelas são responsáveis pelo preenchimento de várias casas [elementos] da nossa tabela periódica”, afirma Damineli. Estudar o coração da Eta Carinae e entender por completo como ele se expressa é conhecer mais sobre as condições químicas para o surgimento da vida. Ajudaria a entender por que a água, no Sistema Solar, é algo tão abundante. Para Damineli, “rastros de atividade biológica precisam ser procurados fora do Sistema Solar”.

Mesmo com o êxito de ontem, Damineli revela: “esse provavelmente foi meu último apagão. Agora, o resto será com os meus alunos”. Sua próxima missão é bem mais ousada: “Temos dados suficientes para mostrar que o modelo atual da Via Láctea está errado”, afirma.

De um jeito ou de outro, mesmo que Damineli não volte ao Soar para observar Eta Carinae, o próximo apagão já tem data: o inverno de 2014.

09/01/2009 – 08h31

Balão da Nasa “escuta” ruído misterioso no cosmo

EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

O Universo acaba de pregar uma peça em pesquisadores brasileiros e americanos. Um experimento configurado para medir a energia injetada no cosmo pelas suas primeiras estrelas, em tese, achou muito mais do que isso. Em vez do sinal fraco dos primeiros astros, o Projeto Arcade registrou um ruído de rádio seis vez maior do que o previsto. O quebra-cabeça do início do Universo acaba de ficar muito mais embaralhado, e a detecção das primeiras estrelas, mais difícil.

“É uma surpresa total. A diferença é grande. Estamos diante de um desafio totalmente novo”, disse à Folha o astrofísico Thyrso Villela, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O cientista, ao lado de Carlos Alexandre Wuensche, também do Inpe, é um dos autores de quatro artigos científicos submetidos ao periódico “The Astrophysical Journal” descrevendo a descoberta.

Nasa/GSFC
Ilustração reconstitui o voo do balão Arcade, que registrou ruido de rádio seis vez maior do que o previsto
Ilustração reconstitui o voo do balão Arcade, que registrou ruído seis vez maior do que o previsto e embaralhou estudo de estrelas

Os cientistas estão classificando o novo estrondo primordial como algo misterioso porque todas as fontes já conhecidas para esse ruído foram descartadas.

Não é um rastro de nenhuma estrela antiga, de nenhuma fonte cósmica conhecida de ondas de rádio ou muito menos um resquício de gás de perto da Via Láctea.

Nem mesmo o resíduo do Big Bang, a chamada radiação cósmica de fundo (energia “fóssil” da infância do cosmo –os primeiros cem mil anos), pode estar na fonte do ruído misterioso –por causa da diferença de intensidade entre ambos.

Grandes ruídos, por sinal, podem ser boas trilhas para importantes descobertas. O eco do Big Bang nos anos 1960, achado também de forma acidental, rendeu o Nobel de Física (1978) à dupla Arno Penzias e Robert Wilson.

Tecnologia nacional

A detecção do novo ruído misterioso também ocorreu devido a instrumentos confeccionados em São José dos Campos, no Inpe: antenas que captam frequências de rádio de 3, 5 e 7 gigahertz.

Na prática, o Projeto Arcade obteve todos os resultados processados agora com um único voo, em 2006. O balão estratosférico da Nasa, no dia 22 de julho, atingiu 37 km de altura por quatro horas. Os sensores do equipamento, mergulhados em aproximadamente 2.000 litros de hélio, permitem que o sistema funcione próximo do zero absoluto (-270°C).

Na astrofísica, os cientistas relacionam a energia de radiação de um corpo com sua temperatura. O balão do Arcade estuda desvios de temperatura de 2,7 Kelvin (-267,3°C) em relação à radiação cósmica de fundo. Esse tipo de radiação primordial, medida há 20 anos, tem uma temperatura homogênea de -270,25°C.

Nessas diferenças sutis de temperatura estão as assinaturas cada vez mais “enigmáticas” do início do cosmo.

Fonte: Folha

08/01/2009 – 10h27

Estrela em disparada faz escultura no céu

RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

Um grupo de cientistas analisando imagens do Telescópio Espacial Hubble revelou sem querer um fenômeno astronômico de beleza até então desconhecida: estrelas mergulhando em alta velocidade dentro de nuvens de gás cósmico. A descoberta só foi feita porque o clarão gerado na colisão atraiu a atenção de astrônomos que procuravam objetos cósmicos completamente diferentes.

“Estávamos conduzindo uma varredura de imagens com o Telescópio Espacial Hubble para procurar nebulosas protoplanetárias [restos de matéria que se formam num dos estágios da morte de uma estrela]”, disse à Folha Raghvendra Sahai, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em conversa por e-mail. “Quando olhamos para as imagens, vimos formas que não lembravam a dessas nebulosas, e sim estruturas de cometas em forma de pontas de flecha deixando grandes rastros.”

JPL/Nasa/ESA
Imagens captadas pelo Hubble mostram clarões e trilhas formadas no fenômeno da passagem de estrelas jovens em alta velocidade em meio a nuvens de gás interestelar
Imagens captadas pelo Hubble mostram clarões e trilhas formadas no fenômeno da passagem de estrelas jovens em alta velocidade

O que gera as imagens, explica o cientista, não é a colisão do gás interestelar com a estrela em si, mas, sim, com o seu “vento” estelar –partículas eletricamente carregadas emitidas pela estrela. São as mesmas partículas que o Sol emite e provocam o fenômeno das auroras polares nos céus de alta latitude na Terra.

Apesar de não terem ainda uma estimativa precisa da velocidade dessas estrelas, os astrônomos estimam que elas estejam trafegando a até 180 mil km/h, em relação ao gás. A descoberta foi apresentada pelo grupo de Sahai ontem no encontro anual da Sociedade Astronômica Americana, em Long Beach (Califórnia).

Segundo os pesquisadores, ainda não está claro que tipo de fenômeno faz com que as estrelas observadas atinjam velocidades tão grandes –cinco vezes as de outras estrelas de mesma massa e idade das observadas.

Em parte, o grande brilho da colisão se deve ao fato de as estrelas serem ainda jovens, com alguns milhões de anos (o Sol tem 4,6 bilhões), com vento estelar forte.

Estrelas como essas podem atingir grande velocidade, diz Sahai, quando são “cuspidas” de grandes aglomerados estelares por alguma perturbação gravitacional. Sistemas binários –duas estrelas, uma orbitando a outra– também podem ser a origem do fenômeno, diz. Quando uma estrela morre, a outra pode ser lançada para longe a grande velocidade.

Grandes choques de estrelas com nuvens de gás já haviam sido detectados antes pelo Iras (Satélite Astronômico Infravermelho), mas só agora com o Hubble foi possível observá-los em luz comum –o infravermelho é invisível ao olho humano. As estrelas desenfreadas mostradas agora pelo Hubble, porém, têm massa muito menor. Segundo Sahai, isso significa que o fenômeno registrado poucas vezes pode ser mais comum do que se imaginava.

Para ele, a importância de estudar estrelas desenfreadas agora é que elas podem afetar a evolução de galáxias ao bagunçar o gás interestelar, a matéria-prima que a gravidade usa para formar novas estrelas.

Fonte: Folha

07/01/2009 – 18h36

Sol entrará em período de menor atividade, dizem cientistas

Da Efe, em Londres

O Sol vai entrar em um período de menor atividade, o que pode expor os astronautas a perigos de saúde, diz um estudo suíço publicado pela revista “NewScientist”.

A capacidade que o Sol tem para proteger o Sistema Solar dos raios cósmicos mais prejudiciais poderia diminuir no início da próxima década, diz o artigo.

Além de seu ciclo normal de 11 anos de manchas e labaredas solares, a atividade solar experimenta outro tipo de mudanças que podem durar décadas.

O Sol está atualmente em um período de máxima atividade, que dura quase um século, e não se sabe exatamente quando vai terminar. Para esclarecer isso, uma equipe comandada por José Abreu, do Instituto Federal de Ciências Aquáticas e Tecnologia da Suíça, analisou 66 períodos de grande atividade durante os últimos 10 mil anos.

Os cientistas estudaram os níveis flutuantes de isótopos raros, como o berílio-10, nas geleiras da Groenlândia, uma vez que são elementos produzidos quando os raios cósmicos destroem os núcleos dos átomos de oxigênio e nitrogênio na atmosfera terrestre.

Baseando-se na duração de períodos passados de grande atividade e no fato de que o atual já durou 80 anos, a equipe suíça calcula que a duração provável deste último será de 95 a 116 anos, sendo o primeiro número o mais provável.

Mesmo que diminua um pouco a luminosidade solar durante as próximas décadas por causa de atividade menor, a influência que pode ter na mudança climática será mínima, declara Nigel Weiss, da Universidade de Cambridge e membro da equipe de pesquisa.

Os mais atingidos provavelmente serão os astronautas, que estão além do campo magnético protetor da Terra. A exposição a um aumento dos raios cósmicos que entrarão no Sistema Solar devido ao enfraquecimento do vento solar poderia causar câncer e infertilidade.

Entretanto, outros cientistas, como David Hathaway, do Marshall Space Flight Center da Nasa em Huntsville (Alabama), se mostram mais céticos sobre a possibilidade de prever quando o Sol entrará neste período de menor atividade.

Fonte: Folha


07/01/2009 – 12h50

Astrônomos criam 1º modelo 3D de explosão de estrela; assista

da BBC Brasil

Astrônomos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) anunciaram que recriaram pela primeira vez um modelo em 3D dos momentos seguintes à explosão de uma estrela, o que pode ser uma boa ferramenta para estudar melhor o processo. Veja o vídeo.

Os especialistas recolheram informações de dois telescópios orbitais da Nasa (agência espacial norte-americana) –Chandra, de raios X, e Spitzer, que obtém imagens pela detecção de radiação infravermelha ou de calor– e de telescópios na superfície da Terra.

BBC
Para produzir modelo 3D, pesquisadores recolheram informações de dois telescópios orbitais da Nasa e observatórios na Terra
Para produzir modelo 3D, pesquisadores recolheram informações de dois telescópios orbitais da Nasa e observatórios na Terra

Eles utilizaram técnicas de obtenção de imagens normalmente empregadas na área médica para criar um holograma da supernova Cassiopeia A. As supernovas são corpos celestes brilhantes surgidos após as explosões de estrelas e que, com o tempo, acabam perdendo a luminosidade.

Haley Gomez, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, disse que o modelo oferece “uma visão surpreendente da explosão original de uma estrela”. A imagem mostra jatos na forma de discos saindo da estrela quando ela explode.

Os astrônomos já sabiam das emanações das estrelas, mas a estrutura no formato de disco é uma nova descoberta. A equipe internacional usou imagens de raio X e infravermelho para criar a visualização e ter uma compreensão mais completa do que acontece na explosão.

A Cassiopeia A é uma supernova resultante de uma estrela que, acredita-se, explodiu há 330 anos. Gomez disse que a recriação é “realmente extraordinária”.

“Astrônomos e o público estão acostumados a ver imagens ‘achatadas’, com duas dimensões”, diz. “Agora nós podemos visualizar um objeto a 11 mil anos-luz por ângulos diferentes.”

“Nós sempre quisemos saber como as peças que vemos em duas dimensões se encaixam entre si na vida real. Agora podemos ver por nós mesmos com este ‘holograma’ de restos de supernova”, disse Tracey DeLaney, chefe da equipe de pesquisadores.

No vídeo, liberado pelos astrônomos, a região em verde é, na maioria, ferro, observado por meio de raios X. A região amarela é uma combinação de argônio e silício vistos por raios X, meios óticos e infravermelho, incluindo jatos de silício. A região vermelha é de resíduos frios vistos por infravermelho. Finalmente, o azul revela uma onda externa resultante da explosão, detectadas em mais evidência por raios X.

Fonte: Folha

06/01/2009 – 08h27

Telescópio vê escombros de planetas similares à Terra perto de estrela morta

da Folha de S.Paulo

Uma nova análise da luz emitida pelas chamadas anãs brancas –objetos cósmicos que são remanescentes de estrelas mortas– revelou que muitas delas podem ter abrigado planetas similares à Terra no passado.

Estudando imagens que o Telescópio Espacial Spitzer, da Nasa (agência espacial norte-americana), fez de seis desses cadáveres estelares, astrônomos descobriram que boa parte da poeira em seu entorno é composta de minerais que são comuns em planetas rochosos e asteroides do Sistema Solar.

Nasa
Concepção artistica mostra estrela morta cercada por pedaços de um asteroide que se desintegra
Concepção artística mostra estrela morta cercada por pedaços de asteroide que se desintegra; estrelas podem ter abrigado planetas

Essa poeira é provavelmente resto de planetas destruídos, dizem os pesquisadores. Antes de morrer, uma estrela como o Sol incha até se tornar uma gigante vermelha, que aniquila planetas de órbitas mais próximas.

Só depois ela expele suas camadas mais externas e se torna uma anã branca. Como o material remanescente é bem mais fragmentado do que os grandes asteroides e planetas em torno de estrelas vivas, fica mais fácil para astrônomos analisarem sua composição.

O Spitzer já havia observado essa poeira com detalhes em outras duas anãs brancas, mas só agora, com dados de mais seis delas, os cientistas puderam tirar conclusões seguras.

Necrotério cósmico

A vantagem de analisar asteroides e escombros planetários perto de estrelas mortas é que eles são mais fragmentados do que o material que existe em torno das estrelas vivas. Ao separar em faixas do espectro a luz refletida por essa poeira, o Spitzer consegue identificar os materiais que a compõem.

“É como se as anãs brancas separassem a poeira para nós”, disse o astrônomo Michael Jura, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, em comunicado à imprensa. “Se você triturasse nossos asteroides e planetas rochosos, obteria o mesmo tipo de poeira que estamos observando nesses sistemas estelares [anãs brancas].”

Segundo os pesquisadores, uma consequência importante do estudo é alimentar a ideia de que lugares mais propensos ao surgimento da vida, como a Terra, podem ser menos raros do que se pensava. “Isso nos mostra que essas estrelas têm asteroides como os nossos e, por isso, podem ter também planetas rochosos”, diz Jura. Um estudo do astrônomo sobre o assunto foi aceito pela revista “The Astronomical Journal” e deve ser publicado em breve.

Fonte: Folha

05/01/2009 – 17h36

Cientistas descobrem estrelas jovens à beira de buraco negro

da Efe, em Washington

Os astrônomos encontraram estrelas jovens em partes da Via Láctea onde consideravam sua presença impossível, como nos limites do buraco negro situado no centro da galáxia, informou hoje a Associação Astronômica dos Estados Unidos.

“Literalmente avistamos estas estrelas no ato de suas formações”, disse Elizabeth Humphreys, do Centro Smithsonian-Harvard para Astrofísica, durante uma apresentação na reunião da associação em Long Beach, na Califórnia.

O centro da Via Láctea está sujeito a enormes forças gravitacionais movidas por um buraco negro, cuja massa é 4 milhões de vezes maior do que a do Sol.

Esses “puxões” de gravidade deveriam desagregar as nuvens de moléculas em que surgem as estrelas.

No entanto, os astrônomos de Harvard-Smithsonian e do Instituto Max Planck para Radioastronomia, que empregaram o radiotelescópio interferométrico de 27 antenas de Socorro, no Estado do Novo México, identificaram duas protoestrelas localizadas a poucos anos-luz do centro galáctico.

“Seu descobrimento mostra que as estrelas, de fato, podem se formar muito perto do buraco negro no centro da Via Láctea”, assinalou Humphreys na apresentação.

Essa é uma região misteriosa, oculta à pesquisa humana pelo pó e o gás espaciais.

A luz visível não escapa do buraco e por isso os astrônomos devem usar outras frequências como luz infravermelha e o rádio, que podem penetrar mais facilmente a nuvem de gás e pó cósmico.

Humphreys e seus colegas buscaram os sinais de rádio que indicam a presença das protoestrelas ainda envolvidas em suas “cápsulas” de nascimento, e encontraram duas delas localizadas a distâncias entre sete e dez anos-luz de distância do centro galáctico.

Combinadas com outra protoestrela identificada anteriormente, os três exemplos mostram que há formação de estrelas perto do núcleo da Via Láctea.

Estas descobertas indicam que o gás molecular no centro da galáxia deve ser mais denso do que o calculado até agora.

Uma densidade mais alta facilitaria a gravidade de uma nuvem molecular a superar a atração exercida pelo buraco negro, permitindo não só a ela se manter agregada mas também a se aglomerar para formar estrelas novas.

Fonte: Folha

05/01/2009 – 17h19

Via Láctea pesa mais e gira mais rápido do que se imaginava, dizem cientistas

da Efe, em Madri

Cientistas americanos descobriram que a Via Láctea pesa 50% a mais do que o estimado anteriormente, e que gira em órbita a 965,6 mil quilômetros por hora –quase 161 mil quilômetros por hora mais rápido do que se considerava até então.

A equipe, formada por pesquisadores do Observatório Nacional de Rádio e Astronomia dos EUA e do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, apresentou nesta segunda-feira (5) os resultados de sua pesquisa, em reunião da Sociedade Americana de Astronomia em Long Beach, na Califórnia, nos EUA.

Eles explicam que, por ser mais veloz e pesada, a galáxia tem maior força gravitacional, o que significa que são maiores as possibilidades de ela colidir com a galáxia de Andrômeda, ou com outras menores e mais próximas.

“Acabou a ideia da Via Láctea como irmã menor de Andrômeda em nosso grupo local”, afirmou o cientista Mark Reid, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.

Ele explica que o fato de as observações científicas terem sido feitas do interior da galáxia dificulta as medições e o estudo de sua estrutura, algo mais simples para o restante de galáxias, das quais se pode obter uma imagem geral.

Até agora, o valor das magnitudes da Via Láctea era calculado por medições indiretas.

No entanto, os radiotelescópios VLBA da Fundação de Ciência Nacional dos EUA registraram imagens de alta qualidade e medidas diretas de distâncias e movimentos que não dependem de outras propriedades. Nas imagens captadas, os cientistas localizaram regiões de intensa formação de estrelas nas quais moléculas gasosas aumentaram as emissões de rádio nos equipamentos.

Estas áreas servem como marcas brilhantes para o radiotelescópio, o que permitiu determinar os movimentos tridimensionais dessas regiões, que, em sua maioria, seguem um caminho circular, à medida que se movimentam pela galáxia, mas elíptico e a uma velocidade inferior às das demais regiões.

Os pesquisadores atribuem estes movimentos às ondas expansivas de densidade espiral, que tomam gás de uma órbita circular, o comprimem para formar estrelas e originam uma nova órbita elíptica.

Estes processos, segundo explicam os cientistas, contribuem para reforçar a estrutura espiral da Via Láctea.

A equipe sugere ainda que a galáxia tem quatro braços de gás e pó em espiral (nos quais se formam as estrelas), e não apenas dois braços, conforme estabelecido anteriormente.

Fonte: Folha

05/01/2009 – 11h16

Cientista aponta condições para vida no subsolo de Marte

da Efe, em Moscou

No subsolo de Marte pode haver condições para o surgimento de formas de vida. A afirmação é do subdiretor do Instituto de Pesquisas Espaciais da Academia de Ciências da Rússia, Oleg Korablev.

“A superfície do planeta vermelho é pouco apta para a vida, mas no subsolo, à pequena profundidade, as condições para que esta exista podem ser completamente aceitáveis”, afirmou o cientista, que destacou a importância da missão da sonda ExoMars para Marte, que está sendo preparada pela ESA (Agência Espacial Europeia, na sigla em inglês).

Em Marte “há um pouco de ozônio, mas a grossura da atmosfera é tão pequena que a radiação solar ultravioleta chega à superfície do planeta quase com toda sua força e, literalmente, a esteriliza”, afirmou em entrevista à agência Interfax.

Korablev afirmou que em Marte “é necessário cavar, e não apenas cavar um pouco, como fizeram sondas norte-americanas, mas perfurar o solo”. Essa é uma das missões da ExoMars.

A ExoMars tem como missão principal procurar sinais de vida passada ou presente em Marte. Para tanto, terá de chegar a lugares que oferecem mais condição de vida e recolher material a até dois metros de profundidade no solo. As amostras serão analisadas por um laboratório a bordo.

Dotado da maior variedade de instrumentos científicos já transportada a Marte, o robô poderá submeter o material a um grande número de testes se houver indicação da existência de organismos.

“Trata-se de uma análise voltada à busca de produtos biológicos e plantas de vida biológica”, declarou Korablev.

Fonte: Folha

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